Ninhos, belas construções funcionais é o resultado do esforço coletivo de todos os usuários que inseriram e inserem valiosas informações que beneficiam não somente aos demais usuários, mas como toda a comunidade de observadores de aves, ornitólogos e visitantes em geral. A todos os que dispensaram um pouco do seu tempo para compartilhar o seu conhecimento, muito obrigado.
Os ninhos das aves são, na natureza, um espetáculo à parte. Grandiosos ou discretos, robustos ou delicados; feitos dos mais diversos materiais, como argila (p. ex.: joão-de-barro), galhos secos, paina, teias de aranha (p. ex.: beija-flores), fungos, pelos de mamíferos, saliva e mesmo materiais sintéticos ou resíduos urbanos; apoiados sobre o solo, em rochas (p. ex.: taperuçu-de-coleira-branca), capins, folhas de palmeira, galhos, troncos, cupinzeiros e em diversas estruturas construídas pelo homem, no campo e nas cidades; isolados ou agrupados em colônias, verdadeiros “condomínios” (p.ex.: xexéu). Constituem uma importante referência para se identificar a presença de uma espécie em determinada área….
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Delicado ninho construído na ponta de uma folha. Seja delicado ou robusto, a casa dos pássaros cumpre - e muito bem - a sua função de “lar, doce lar”.
Não se engane com a foto acima. Dentro das condições naturais esse ninho está perfeitamente balizado, trazendo para o seu dono toda a comodidade necessária para a postura e cria dos seus filhotes…
A grande maioria das aves constrói o ninho nas árvores. Muitos escavam ou aproveitam cavidades existentes nos troncos das árvores, como, por exemplo, o pica-pau-verde-barrado e o caburé, respectivamente. É usual os ovos das aves que nidificam em cavidades serem completamente brancos, uma vez que não necessitam de outra camuflagem. Os ninhos construídos nas árvores variam muito, quer no tamanho, quer na técnica, quer nos materiais usados na construção. Algumas aves localizam os seus ninhos na zona mais alta das árvores. Algumas aves, forram o exterior do ninho com líquenes ou materiais vegetais para que o ninho seja mais difícil de detectar. Um dos ninhos mais curiosos é o do tecelão (Cacicus chrysopterus), que por vezes parece uma pequena cesta pendurada na extremidade de um ramo.
São ninhos feitos de forma não elaborada, ou seja, as aves simplesmente depositam os ovos em alguma cavidade ou diretamente no chão, como faz o bacurau-chintã. Algumas vezes amontoam um pouco de material encontrado nos arredores e mesmo as próprias fezes.
Esses ninhos são escavados no solo ou em cupinzeiros arborícolas e podem ter galerias de vários metros de extensão. As aves utilizam o bico e as patas para escavar. Normalmente começam por um túnel reto que depois se alarga numa câmara onde incubam os ovos. Esses ninhos estão bastante protegidos, quer do clima, quer da maior parte dos predadores.
São muitas vezes utilizados pequenos ramos, restos vegetais, penas, etc., para construir uma plataforma onde são colocados os ovos. Esses ninhos podem ser construídos em locais descobertos, como o ninho das gaivotas, mas outros são muito bem dissimulados entre a vegetação, como o do tico-tico-do-campo. As aves mais pequenas que fazem o seu ninho no chão, utilizam materiais como o musgo ou a lã para atapetar o interior do ninho.
Muitas vezes esses ninhos são construídos com barro e outros tipos de solo, como é o caso dos ninhos de andorinhas.
São ninhos geralmente grandes, feitos para abrigar vários indivíduos que vivem de forma colaborativa. Um belo exemplo desse tipo de nidificação é o ninho de caturrita (Myiopsitta monachus). A caturrita é a única espécie de psitacídeo que constrói o seu próprio ninho e o faz de forma coletiva. Esses ninhos podem ter mais de um metro de diâmetro e pesar por volta de 200kg. Todos os outros membros do grupo (papagaios, araras, etc) fazem ninhos em buracos ocos de árvores, barrancos ou cupinzeiros. Fora do período de reprodução, o ninho coletivo é utilizado para dormir ou como abrigo de tempestades. Eurico Santos (1979) cita que esses ninhos são montões grandes, medindo de meio a um metro, iguais externamente a um baiacu gigantesco, com um cano de entrada lateral. Os gravetos são todos dispostos radialmente, de tal maneira que a ponta grossa fica dirigida para fora. Um beiral saliente, feito com cuidado especial os defende da chuva. Cada um desses ninhos é utilizado em comum por diversas fêmeas.Os três tipos de anus encontrados no Brasil podem compor ninhos tanto individuais quanto coletivos , sendo que o anu-preto (Crotophaga ani) e o anu coroca (Crotophaga major) são, nesse tipo de relação, mais cooperantes estando os indivíduos do grupo comprometidos com o bem estar, choca dos ovos e cria dos filhotes. No anu-branco (Guira guira) quando ocorre a coletividade uma fêmea que vem a pôr os seus ovos posteriormente não raro retira do ninho outros ovos já existentes.Algumas aves da família Icterídae como o xexéu (Cacicus cela) nidificam em grandes colônias e praticam a poligamia
São ninhos feitos sobre a água geralmente próximos às margens de rios e lagos com correnteza calma. Feitos com matéria vegetal paludícola.
Muitas vezes o formato do ovo é determinante para o sucesso da incubação devido principalmente ao local onde se encontra.
A corruíra (Troglodytes musculus) é um exemplo de ave que se aproveita muito bem das estruturas feitas pelo homem, como forros de telhado, tubulações abandonadas, luminárias e também ninhos artificiais para criar a sua prole.
Diferentemente da corruíra, entretanto, a maioria das espécies silvestres enfrenta um grande problema para nidificar: a diminuição das áreas preservadas, principalmente para dar espaço às obras e atividades humanas, como a construção de barragens, os loteamentos e as monoculturas. A derrubada de árvores mortas, onde pica-paus, tucanos e araras preferem nidificar, está diretamente ligada ao rareamento dessas espécies em locais onde eram relativamente comuns. As queimadas desordenadas, por sua vez, ocasionam o escasseamento da matéria-prima com que o popular joão-de-pau confecciona os seus grandiosos ninhos.
Para minimizar a erradicação dessas e outras espécies em suas áreas de ocorrência, a manutenção de ninhos artificiais nos habitats tem se tornado um importante fator de permanência e mesmo de conhecimento mais aprofundado dos hábitos de cria, tempo de incubação dos ovos e maturação dos filhotes. As araras são aves que muito se beneficiam dos ninhos artificiais. Iniciativas como o Projeto Arara Azul http://www.projetoararaazul.org.br/, entre outras ações, colocam à disposição das aves estruturas artificiais que são indispensáveis para sua conservação local.
São materiais sintéticos aqueles feitos pelo ser humano. Com a escassez de matéria natural as aves têm recorrido comumente aos materiais sintéticos para a construção de seus ninhos, principalmente pelo fato de hoje serem esses materiais facilmente encontrados com a constante degradação ambiental e a transformação de áreas preservadas em depósitos de lixo.
Não raramente encontramos ninho em que entre a sua matéria-prima estão pedaços de plástico, fiapos de tecidos ou demais materiais que comumente não fazem parte da realidade de nenhuma especie. Embora possam parecer mais uma alternativa para a as aves no que diz respeito à construção de suas casas esses materiais podem na verdade se tornar um risco, pois não fazem parte do cenário natural e a sua utilização pode causar sufocamentos e embaraços por parte dos indivíduos além de os compostos que podem vir a trazer em sua composição serem os responsáveis por causarem stress e mesmo doenças para as aves.
Existem aquelas aves, no entanto, que simplesmente não fazem os seus ninhos, reaproveitando construções já existentes para aí fazerem a postura e criar os filhotes. Podemos dividir essas espécie em Totalmente Dependentes e Eventualmente Dependentes. As totalmente dependentes são aquelas que não constroem seus ninhos e dependem exclusivamente dos construídos por outras aves, fazendo nesses apenas pequenos ajustes, como, por exemplo, colocar palha como forragem, sem contudo modificar-lhes a estrutura. Um bom exemplo é a andorinha-do-campo que, para nidificar, utiliza sistematicamente ninhos abandonados de joão-de-barro (Furnarius rufus). As espécies eventualmente dependentes utilizam ninhos construídos por outros, mas, não encontrando essas construções, não poupam esforços para construir os seus. O popular pardal (Passer domesticus) tem essa característica entre as suas versatilidades, o que, entre outros fatores, também ajudou na sua propagação por quase todo o planeta.
Molothrus bonariensis é uma das espécies mais adaptadas à arte de parasitar ninhos. Espécie que vive em bandos, costuma deslocar-se em busca de locais com capacidade de suporte alimentar e de ninhos de outras espécies para parasitarem. Depositam os seus ovos nos ninhos de diferentes espécies, pouco importando o tamanho das aves que adotarão forçadamente os seus filhotes. Os ovos pesam em média 4.0 g, medem 23 mm x 18,5 mm, possuem coloração esbranquiçada, salpicados com várias pintas de cor marrom. O chupim parasita ninhos de formatos diversos, desde os fechados àqueles em forma de cesto. Os filhotes do chupim, ao nascer, retiram do ninho ovos que ainda não eclodiram ou os filhotes do hospedeiro; nascem com a região ao redor do bico amarelada e seu interior é vermelho claro. Essas características são importantes para se saber quem prevaleceu no ninho parasitado.
Este é um comportamento evolutivo de sucesso que existe há centenas de milhares de anos, bem antes do aparecimento do homem na Terra. Tanto o chupim quanto seus parceiros estão adaptados a este comportamento, que só sai do controle da natureza quando existe a interferência humana. Os humanos restringindo o habitat das aves parceiras e reduzindo os locais de nidificação podem interferir na relação estabilizada entre os chupim e as demais aves parceiras. O desmatamento beneficia os chupim e prejudica as demais espécies que serão parasitadas. A interferência humana também afeta a relação estável entre predadores e o chupim. Quanto menos predadores do chupim, maior a população desta ave e consequentemente maior pressão sobre as espécies nidoparasitadas. Molothrus bonariensis é uma ave de ambientes abertos. Apesar desse desequilibro, não devemos interferir, pois os danos podem ser imprevisíveis.